quinta-feira, 8 de novembro de 2012


Ambientes de Aprendizagem Colaborativa Apoiada por Computador
Ao serem questionadas sobre uma recordação de alguma experiência envolvendo uma situação de aprendizagem, grande parte das pessoas lembra de alguma situação envolvendo outras pessoas (LAROCQUE, 1997). Apesar disto, a maioria das metodologias pedagógicas e, sobretudo os métodos envolvendo novas tecnologias, privilegiam situações ou contextos de aprendizagem individual. Em contraponto a esta tendência, nos últimos anos, tem crescido a quantidade de pesquisas envolvendo a promoção da aprendizagem utilizando as vantagens do convívio social, a aprendizagem colaborativa, ou cooperativa, como preferem alguns autores.
A criação de ambientes de Aprendizagem Colaborativa Apoiada por Computador (ACAC), são o reflexo mais atual deste novo enfoque da aprendizagem, fundamentada nas idéias de desenvolvimento cognitivo individual de Piaget e Vygotski, entre outras. Ao trabalhar-se com esta área, a primeira polêmica que ocorre é a referente à utilização dos termos aprendizagem "colaborativa" ou "cooperativa". PANITZ (1996) fez uma revisão sobre esta controvérsia, concluindo que colaboração implicava em um processo mais aberto, onde os integrantes do grupo interagem para atingir um objetivo comum, enquanto que na cooperação existe uma organização maior do grupo, com um maior enfoque no controle da situação pelo professor. Segundo SCHRANGE (apud COLLIS, 1993), a colaboração é um processo de criação compartilhada: dois ou mais indivíduos, com habilidades complementares, interagem para criar um conhecimento compartilhado que nenhum deles tinha previamente ou poderia obter por conta própria. A colaboração cria um significado compartilhado sobre um processo, um produto ou um evento. Suas idéias (COLLIS, 1993) têm semelhanças com as idéias do social construtivismo e com as idéias de Vygotski sobre a interação social. Entretanto, a ênfase de Schrange no termo "colaboração" não é necessariamente compartilhado com outros pesquisadores da área de CSCW. Nestes ambientes, o termo "cooperativo" é mais usado do que "colaborativo",uma vez que estas ferramentas buscam mais uma organização e gerenciamento das informações do que a construção de algo em conjunto. KLING (apud COLLIS, 1993), por exemplo, diz que "CSCW pode ser visto como uma conjunção de certos tipos de tecnologias, certos tipos de usuários (usualmente pequenos grupos profissionais auto-direcionados) e uma visão do mundo que enfatiza as relações de trabalho.

No Brasil, observa-se que ambos termos são utilizados por diferentes grupos para caracterizar o significado definido por Panitz para a aprendizagem colaborativa. Um dos grupos, no qual estão incluídos BARROS (1994), SANTORO et al. (1999), BEHAR (1998) e TIJIBOY e MAÇADA (1999), emprega aprendizagem cooperativa, como referência ao construto "co-operação", tão caro a Piaget. O outro grupo, no qual destaca-se FERREIRA e CAMPOS (1998) e OTSUKA e TAROUCO (1997), segue o mesmo caminho de DILLEMBOURG (1998) e LAROCQUE (1997), que definem a colaboração como o trabalho conjunto, em prol de um objetivo comum, sem uma divisão de tarefas e responsabilidades. Este conceito também é utilizado em Portugal, pela Associação Portuguesa de Telemática Educativa – EDUCOM (http://educom.sce.fct.unl.pt) e pelo Instituto Superior Técnico (SILVA, 1999).
Para melhor explicitar estas idéias, foi criado um fórum para ampliar a discussão sobre este tema (http://www.niee.ufrgs.br/~alunospg99/mara/mara.html), cujos resultados serão apresentados brevemente.
Neste artigo, optou-se pelo termo "aprendizagem colaborativa" para representar o desenvolvimento cognitivo alcançado pelas trocas sociais entre indivíduos, com um objetivo comum. Estas interações ocorrem em um ambiente caracterizado pela ausência de hierarquia formal, com respeito mútuo às diferenças individuais e liberdade para exposição de idéias e questionamentos, a exemplo do que Piaget sugeria ser necessário para a promoção da "solidariedade interna".
Corroborando com Piaget, RESNICK (1995) mostrou que os indivíduos em nossa sociedade atual não estão estruturalmente preparados para a colaboração, adotando instintivamente posturas competitivas e dependentes de um controle hierárquico. Assim sendo, ao criar-se um ambiente de ACAC, é necessário ter presente que a colaboração deve ser fomentada e construída, razão pela qual é fundamental uma análise criteriosa das aplicações que serão empregadas, de forma a utilizar, prioritariamente, àquelas que promovam a colaboração.
Atualmente, um ambiente de aprendizagem colaborativa envolve um conjunto de ferramentas, estruturadas em um groupware. Com este ambiente, professores e alunos reavaliam continuamente seus papéis, na medida em que vislumbram novas possibilidades tanto de inserção de novos recursos tecnológicos quanto de formas de utilização, promovendo novas interações sociais.

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