Ambientes de Aprendizagem
Colaborativa Apoiada por Computador
Ao
serem questionadas sobre uma recordação de alguma experiência envolvendo uma
situação de aprendizagem, grande parte das pessoas lembra de alguma situação
envolvendo outras pessoas (LAROCQUE, 1997). Apesar disto, a maioria das
metodologias pedagógicas e, sobretudo os métodos envolvendo novas tecnologias,
privilegiam situações ou contextos de aprendizagem individual. Em contraponto a
esta tendência, nos últimos anos, tem crescido a quantidade de pesquisas
envolvendo a promoção da aprendizagem utilizando as vantagens do convívio
social, a aprendizagem colaborativa, ou cooperativa, como preferem alguns
autores.
A
criação de ambientes de Aprendizagem Colaborativa Apoiada por Computador
(ACAC), são o reflexo mais atual deste novo enfoque da aprendizagem,
fundamentada nas idéias de desenvolvimento cognitivo individual de Piaget e
Vygotski, entre outras. Ao trabalhar-se com esta área, a primeira polêmica que
ocorre é a referente à utilização dos termos aprendizagem
"colaborativa" ou "cooperativa". PANITZ (1996) fez uma
revisão sobre esta controvérsia, concluindo que colaboração implicava em um
processo mais aberto, onde os integrantes do grupo interagem para atingir um
objetivo comum, enquanto que na cooperação existe uma organização maior do
grupo, com um maior enfoque no controle da situação pelo professor. Segundo
SCHRANGE (apud COLLIS, 1993), a colaboração é um processo de criação
compartilhada: dois ou mais indivíduos, com habilidades complementares,
interagem para criar um conhecimento compartilhado que nenhum deles tinha
previamente ou poderia obter por conta própria. A colaboração cria um
significado compartilhado sobre um processo, um produto ou um evento. Suas
idéias (COLLIS, 1993) têm semelhanças com as idéias do social construtivismo e
com as idéias de Vygotski sobre a interação social. Entretanto, a ênfase de
Schrange no termo "colaboração" não é necessariamente compartilhado
com outros pesquisadores da área de CSCW. Nestes ambientes, o termo "cooperativo"
é mais usado do que "colaborativo",uma vez que estas ferramentas
buscam mais uma organização e gerenciamento das informações do que a construção
de algo em conjunto. KLING (apud COLLIS, 1993), por exemplo, diz que "CSCW
pode ser visto como uma conjunção de certos tipos de tecnologias, certos tipos
de usuários (usualmente pequenos grupos profissionais auto-direcionados) e uma
visão do mundo que enfatiza as relações de trabalho.
No
Brasil, observa-se que ambos termos são utilizados por diferentes grupos para
caracterizar o significado definido por Panitz para a aprendizagem
colaborativa. Um dos grupos, no qual estão incluídos BARROS (1994), SANTORO et
al. (1999), BEHAR (1998) e TIJIBOY e MAÇADA (1999), emprega aprendizagem
cooperativa, como referência ao construto "co-operação", tão caro a
Piaget. O outro grupo, no qual destaca-se FERREIRA e CAMPOS (1998) e OTSUKA e
TAROUCO (1997), segue o mesmo caminho de DILLEMBOURG (1998) e LAROCQUE (1997),
que definem a colaboração como o trabalho conjunto, em prol de um objetivo
comum, sem uma divisão de tarefas e responsabilidades. Este conceito também é
utilizado em Portugal, pela Associação Portuguesa de Telemática Educativa –
EDUCOM (http://educom.sce.fct.unl.pt) e pelo Instituto Superior Técnico (SILVA,
1999).
Para
melhor explicitar estas idéias, foi criado um fórum para ampliar a discussão
sobre este tema (http://www.niee.ufrgs.br/~alunospg99/mara/mara.html), cujos
resultados serão apresentados brevemente.
Neste
artigo, optou-se pelo termo "aprendizagem colaborativa" para
representar o desenvolvimento cognitivo alcançado pelas trocas sociais entre
indivíduos, com um objetivo comum. Estas interações ocorrem em um ambiente
caracterizado pela ausência de hierarquia formal, com respeito mútuo às diferenças
individuais e liberdade para exposição de idéias e questionamentos, a exemplo
do que Piaget sugeria ser necessário para a promoção da "solidariedade
interna".
Corroborando
com Piaget, RESNICK (1995) mostrou que os indivíduos em nossa sociedade atual
não estão estruturalmente preparados para a colaboração, adotando
instintivamente posturas competitivas e dependentes de um controle hierárquico.
Assim sendo, ao criar-se um ambiente de ACAC, é necessário ter presente que a
colaboração deve ser fomentada e construída, razão pela qual é fundamental uma
análise criteriosa das aplicações que serão empregadas, de forma a utilizar,
prioritariamente, àquelas que promovam a colaboração.
Atualmente,
um ambiente de aprendizagem colaborativa envolve um conjunto de ferramentas,
estruturadas em um groupware. Com este ambiente, professores e alunos reavaliam
continuamente seus papéis, na medida em que vislumbram novas possibilidades
tanto de inserção de novos recursos tecnológicos quanto de formas de
utilização, promovendo novas interações sociais.
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