quinta-feira, 23 de maio de 2013

Como acontecem as aulas em EaD...

Você acredita na aprendizagem acontecendo dentro desta metodologia?

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Artigo sobre Mediação e Aprendizagem colaborativa na EaD. SOEIRA, Elane dos Reis.


http://www.ufpe.br/nehte/simposio/anais/Anais-Hipertexto-2010/Elaine-dos-Reis-Soeira.pdf

Vídeo com explicação simples sobre Aprendizagem Colaborativa


https://www.youtube.com/watch?v=Hdd2KlV8iqo

Vídeo sobre quem é o NOVO PROFESSOR na Era das tecnologias

https://www.youtube.com/watch?v=XM-E0yzL96A

Educação a distância em ambientes digitais de interação e aprendizagem, leitura e escrita

Trecho retirado do artigo:

TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: ABORDAGENS E CONTRIBUIÇÕES DOS AMBIENTES DIGITAIS E INTERATIVOS DE APRENDIZAGEM

ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de – PUC-SP 

A educação a distância com suporte em ambientes digitais numa perspectiva de interação e construção colaborativa de conhecimento favorece o desenvolvimento de competências e habilidades relacionados com a escrita para expressar o próprio pensamento, leitura e interpretação de textos, hipertextos e leitura de idéias registradas pelo outro participante. Decorre daí o grande impacto que o uso desses ambientes na EaD poderá provocar não só no sistema educacional, mas também no desenvolvimento humano e na cultura brasileira, de tradição essencialmente oral, tradição esta imposta pela colonização e escravatura aliadas à moral e à fé cristã, o que impediu o acesso da população brasileira à educação, bem como ao mundo da leitura e da escrita e à conseqüente formação de leitores e escritores (Cury, 2001).
Participar de um curso a distância em ambientes virtuais e colaborativos de aprendizagem significa mergulhar em um mundo virtual cuja comunicação se dá essencialmente pela leitura e interpretação de materiais didáticos textuais e hipertextuais, pela leitura da escrita do pensamento do outro, pela expressão do próprio pensamento através da escrita. Significa conviver com a diversidade e a singularidade, trocar idéias e experiências, realizar simulações, testar hipóteses, resolver problemas e criar novas situações, engajando-se na construção coletiva de uma ecologia da informação, na qual valores, motivações, hábitos e práticas são compartilhados.
Cada participante do ambiente tem a oportunidade de percorrer distintos caminhos, nós e conexões existentes entre informações, textos, hipertextos e imagens; ligar contextos, mídias e recursos; tornar-se receptor e emissor de informações, leitor, escritor e comunicador; criar novos nós e conexões, os quais representam espaços de referência e interação que pode ser visitado, explorado, trabalhado, não caracterizando local de visita obrigatória.
Devido a diversidade da realidade brasileira e a dificuldade ou até impossibilidade de acesso às TIC por parcela considerável da população, a educação a distância no Brasil continuará convivendo com as diferentes abordagens. Enquanto se procuram mecanismos para democratizar a educação em todos os níveis, o grande contingente de pessoas alijados do acesso às TIC continuará participando de cursos a distância por meio de tecnologias convencionais. Porém, esses cursos podem tornar-se mais interativos e assumir uma abordagem mais próxima do estar junto virtual a partir do envolvimento dos formadores em um programa de sua própria formação continuada por meio das TIC que os leve a refletir sobre as contribuições dessas tecnologias à prática pedagógica.
O uso das TIC na EaD poderá levar à tomada de consciência sobre a importância da participação de professores e tutores em todas as etapas da formação, a qual implica em compreender o processo do ponto de vista educacional, tecnológico e comunicacional. Daí a possibilidade de transferir tal percepção para a EaD convencional e buscar alternativas que favoreçam a interação entre os participantes e a representação do pensamento do aprendiz, o que começa a se evidenciar nos meios de comunicação convencionais.
Tendo em vista a necessidade de fluência tecnológica para que a pessoa possa participar de atividades a distância com suporte no meio digital, fica explícito a intrínseca conexão entre EaD, alfabetização e inclusão digital, mas isso não significa ser esta última pré-requisito para EaD e sim que há necessidade de trabalhar o desenvolvimento de competências relacionadas com a alfabetização e inclusão digital quando as pessoas se propõem a participar de cursos a distância. A par disso, observa-se que a participação em cursos a distância por meio de ambientes virtuais de aprendizagem incita o desenvolvimento da expressão do pensamento pela representação escrita quando é oportunizado ao aprendiz participar de discussões, expressar-se livremente e desenvolver produções individuais e grupais (Almeida, 2002).

terça-feira, 21 de maio de 2013

A aprendizagem colaborativa na infância - em sala de aula


O valor da interação na pré-escola

Trabalhar junto com os colegas é uma ótima maneira de aprender, fazendo o que os especialistas chamam de construção colaborativa do conhecimento

Carla Soares Martin 
Interesses semelhantes 

Assim, a interação entre duas ou mais crianças é um excelente meio de promover o aprendizado. Uma forma bastante eficiente de facilitar a interação é trabalhar com cantos de atividades (leitura, desenho, brincadeira de faz-de-conta), em que todos possam circular livremente de acordo com seus interesses (leia uma experiência com cantinhos em uma escola do Recife no quadro abaixo). Essa organização ajuda a exercitar a autonomia, afirma Cisele Ortiz, coordenadora do Instituto Avisa Lá, em São Paulo. "Ninguém aprende a decidir se não tiver opção. Além disso, ela destaca a construção do conceito de respeito mútuo. "Uma menina não pode usar o mesmo vestido que a amiga, na mesma hora, numa brincadeira de faz-de-conta. Elas precisam combinar regras e dialogar para resolver o conflito."

Nesse contexto, a troca entre pares de mesma idade é essencial, pois ambos possuem interesses, conhecimentos e necessidades muito semelhantes. Em termos de comportamento, os pequenos se tornam mais solidários e respeitosos ao trabalhar em conjunto nas atividades propostas pelo professor de pré-escola. Eles aprendem a pedir e receber ajuda, a superar frustrações e a desenvolver um pensamento comum para resolver questões do dia-a-dia.

Em contato com o outro, constrói-se também a própria identidade pela observação de afinidades e diferenças. "As múltiplas experiências de relação pessoal contribuem para as crianças descobrirem a si mesmas, o que torna a convivência uma experiência única, cheia de prazeres", diz Rosana Dutoit, coordenadora de projetos de formação continuada do Instituto Abaporu, de São Paulo.

A função do professor não é eximir-se de responsabilidade. Ao contrário, é seu papel funcionar como uma espécie de "anfitrião" dessa aprendizagem colaborativa. Isso ocorre ao pensar nas atividades que serão realizadas, ao convidar as crianças a trabalharem e pensarem juntas, ao explicar que a natureza dessas tarefas é cooperativa, ao estimular a participação de todos e ao coordenar tudo isso dentro da sala. Em outras palavras, tudo se resume a planejar (antes), observar, incentivar e apoiar as crianças (durante) e avaliar os resultados (depois).

http://revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil/4-a-6-anos/valor-interacao-pre-escola-educacao-infantil-grupos-produtivos-interatividade-541706.shtml?page=
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Atividades colaborativas melhoram o aprendizado individual e coletivo

Atividades colaborativas na escola levam à melhoria da aprendizagem individual e dos grupos em geral

Catarina Iavelberg 


Como o aluno aprende mais? Fazendo atividades sozinho ou interagindo com os colegas? Há algum tempo sabe-se que o desenvolvimento cognitivo pode ser mais efetivo quando a criança e o adulto estão inseridos em um contexto coletivo de aprendizagem. Por isso, cabe à escola buscar ações para ampliar os horizontes do aluno e daqueles que fazem parte de seu universo. Sendo assim, as chamadas aprendizagens cooperativas surgem como grandes incentivadoras da autorregulação e do autoconhecimento. Descobri-las e elaborá-las deve ser a meta de todo os educadores.

No início do século 20, o psicólogo russo Lev Vygotsky (1896-1934) criou o conceito de zona de desenvolvimento proximal (ZDP), definindo-o como "a distância entre o nível de desenvolvimento real, determinado pela resolução independente de problemas, e o nível superior de desenvolvimento potencial, determinado pela resolução de problemas sob orientação de um adulto ou em colaboração com pares mais capazes". Com base nesse princípio, ele escreveu que aquilo que um aluno é capaz de realizar em colaboração com um colega é mais revelador de seu desenvolvimento pessoal do que seu desempenho avaliado isoladamente - um convite para se focar no potencial e não apenas no rendimento em trabalhos individuais.

Autores contemporâneos, seguidores de Vygotsky, indicam que a ZDP pode ser compreendida também como uma aprendizagem para grupos e isso tem contribuído para a descoberta e o planejamento de contextos coletivos de aprendizagem em que há o engajamento ativo de uma coletividade na descoberta de novos meios para resolver problemas. Na escola, é possível trabalhar a ZDP de vários coletivos: das turmas, das famílias e dos professores, sempre que há uma atividade envolvendo a negociação entre parceiros com diferentes competências. Experiências de aprendizagens colaborativas entre alunos com habilidades diversas, entre eles e seus familiares e professores e mesmo entre docentes promovem o desenvolvimento de toda a comunidade escolar.

A investigação de como coletivos de pessoas aprendem traz contribuições significativas à gestão escolar. A orientação educacional pode atuar nesse campo se perguntando: qual o sentido do conhecimento para a comunidade escolar? Como o conhecimento circula e é transmitido no interior dos grupos? Os papéis executados pelos alunos em contextos de aprendizagem coletivos se modificam ou são estáticos? Que características dos coletivos (virtuais e físicos) se desenvolvem de forma mais eficiente e autônoma? Descobrir o uso que os alunos fazem da internet para se comunicar, por exemplo, pode ajudar a escola a formular ações educativas no espaço virtual, tão familiar aos jovens.

A busca por essas respostas contribui para o desenvolvimento do aluno. Assim como Vygotsky, entendemos por desenvolvimento a liberdade, a criação, a ampliação de horizontes e a capacidade de refletir e transformar. Em tempos marcados por metas individuais de desempenho, uma concepção coletiva da ZDP se torna ainda mais atraente para aqueles que acreditam nos contextos coletivos de aprendizagem.

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/orientador-educacional/atividades-colaborativas-melhoram-aprendizado-indivudual-coletivo-aprendizagem-coletiva-551854.shtml

Vilã ou Aliada? Débora Marques discute sobre a relação das tecnologias e educação


Vilã ou aliada?

Internet transforma a relação entre alunos e professores e estabelece novos paradigmas para o ensino e a aprendizagem


Débora Marques


O advento de uma rede que interliga computadores e usuários no mundo todo é um dos maiores avanços da história no que diz respeito à comunicação. E também um dos mais rápidos: em pouco mais de duas décadas, o sistema tornou-se o principal veículo para a interação entre pessoas, empresas e instituições. De tal forma que, hoje, quem não está inserido nesse contexto é considerado um excluído digital.

Diante disso, pode-se imaginar o tamanho do impacto que a internet representou econômica, política e socialmente para a humanidade. O dinamismo que ela imprime às relações corporativas e pessoais exige que estejamos aptos a "domar essa fera" para exercer as mais variadas atividades interativas, desde um simples passatempo até um curso completo de graduação ou pós-graduação, tudo via web.

Na formação de crianças, jovens e adultos, a internet representa uma ruptura no modelo pedagógico tradicional e exige de professores, alunos, pais e instituições uma mudança de comportamento na relação entre ensino e aprendizagem. O principal fator de tal rompimento se deve ao acesso quase irrestrito às informações que a internet proporciona. 
"A internet é um dos centros do que chamo de revolução colaborativa. Trata-se de uma tecnologia da inteligência coletiva por meio da qual sujeitos espalhados em todos os lugares conseguem colaborar na aprendizagem comum", reflete Alfredo Matta, doutor em Educação pela Universidade Federal da Bahia e especialista no tema. 

Diante de tamanho potencial, alunos e educadores vão se adaptando aos poucos às novas ferramentas de ensino. "Os jovens não têm medo da tecnologia, mas nem todos buscam o conhecimento espontaneamente", considera Betina von Staa, coordenadora pedagógica da divisão de portais educacionais da Positivo Informática. Nesse contexto entra o professor, cuja principal missão muda substancialmente a partir do acesso dos alunos ao universo de dados que a internet proporciona. O conhecimento que antes ficava restrito aos livros e ao educador está disponível a todos que tenham acesso à rede e o mínimo de habilidade de manejá-la.

"O papel da escola deixa de ser apenas o de provedora de conhecimento. O próprio aluno traz informações para dentro da sala de aula. O educador deve incentivar o estudante a buscar informação, mas deve ser acima de tudo um orientador do conteúdo e das fontes de referência", avalia José Demísio, coordenador de graduação da Faculdade IBTA. 
Ele conta que sentiu, a partir do advento da internet e da interação de seus alunos com ela, a necessidade de se inserir nesse mundo para conseguir atender à demanda em sala de aula. 



O diretor do Centro de Pesquisa e Tecnologia da Universidade Paulista e do Colégio Objetivo, Almir Brandão, acredita que a internet muda completamente a perspectiva do aluno no processo de aprendizado. "O estudo de geografia, por exemplo, nos livros didáticos. A visão que o aluno tem do mapa, chapado no papel, é a mesma que teria um marciano, vendo a imagem lá do alto. Com programas da internet que fornecem imagens de satélite, o estudante pode fazer o percurso todo da sua casa até a escola e, de lá, viajar para outros países, conhecer o relevo e a vegetação de outras localidades", argumenta.
Presencial ou a distância? 
Ao mesmo tempo em que o aluno pode fazer essa "viagem ao conhecimento", o inverso é também possível. A educação a distância (EAD) - que recebeu incentivo no Brasil a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no final da década de 90 - cresce a cada ano e passa a ser uma opção viável de formação em situações em que haja algum tipo de limitação, física, geográfica ou mesmo econômica. "No Brasil, mais de 1,2 milhão de pessoas freqüentam cursos de educação a distância", afirma o diretor científico da Associação Brasileira de Educação a Distância, Waldomiro Loyolla. 
De acordo com o diretor, existe um enorme contingente de pessoas no país cuja presença regular em um curso fica comprometida, seja pela característica de sua atividade profissional, seja pela dificuldade de se locomover nos grandes centros nos horários de maior trânsito. 

Na opinião de Alfredo Matta, não existe limite para o estudo em meio digital. "A medicina, por exemplo, que tantos pensavam fosse um dos limites da EAD via web, é hoje um dos maiores centros de atividade dessa modalidade, como a Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) pode bem atestar", lembra. 
O modelo ideal, entretanto, na visão do especialista, são os cursos híbridos. "Eu não acho que devamos comparar a EAD com a presencial no sentido de tentar provar qual é a melhor. As duas maneiras tem de fato vantagens e desvantagens", pondera Matta. 

Para outro especialista, Wilmar Cidral, gestor do Instituto Nacional de Pós-Graduação de Joinville, Santa Catarina, a EAD é um caminho sem volta e o cenário atual é apenas a ponta do iceberg . "As instituições de ensino que conseguirem aliar essa tecnologia à criatividade certamente terão êxito no envolvimento de seus alunos". Contudo, Cidral acredita que o ensino a distância não é para todos. "Alguns conteúdos podem ser prejudicados se o estudante não tiver disciplina. Por essa razão, pode ser realizado um monitoramento da performance e da aplicação do aluno diante do computador."

Desempenho escolar 
Betina von Staa avalia que a utilização da rede transformou a educação. Segundo ela, as escolas que incorporam a internet no seu dia-a-dia ajudam e melhoram o desempenho de seus alunos. Tal afirmação encontra respaldo em uma pesquisa realizada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), levantamento que faz parte do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). Trata-se de um exame internacional - realizado em 2003 com base no Censo Escolar e que engloba alunos de escolas particulares e públicas de todo o Brasil - que avalia e compara o desempenho de jovens de 15 anos nos 31 países-membros da organização e seus 11 parceiros.




Os cientistas demonstraram que os computadores e a internet estão associados a um melhor desempenho dos alunos nas habilidades escolares, a exemplo da matemática e da leitura. O aluno que não tem acesso a esses recursos está em desvantagem em relação aos colegas, tanto no que diz respeito ao conhecimento de tecnologia quanto no seu desempenho em matemática.

"Infelizmente ainda estamos longe do ideal, já que o Brasil está em uma das últimas colocações na avaliação do Pisa e isso se deve em boa parte aos baixos níveis de informatização das escolas", lamenta a coordenadora. 

Contudo, é preciso uma certa dose de cautela na implantação desses sistemas nas instituições de ensino, pois a internet não é a salvação da lavoura da educação brasileira. Matta acredita que essa visão, além de equivocada, é também perigosa, pois impede que o professor e o aluno de carne e osso vejam os computadores e a educação a distância como apenas mais uma opção para suas práticas sociais, como de fato são, e passem a depender de projetos miraculosos e caros de terceirização e consultoria para que estas tecnologias sejam finalmente praticadas. 

Desta forma, complementa o especialista, gastam-se fortunas na compra de computadores e a quase imposição dos usos "corretos" dominados pelos "iniciados" acaba por distanciar-se da prática concreta daqueles que vão utilizar a solução, fazendo fracassar em grande parte esses esforços. "O mais aconselhável é introduzir mais lentamente, porém seguramente, as tecnologias nas escolas."

A escola, nesse contexto, tem em seu escopo também essa responsabilidade, já que a mudança de perfil do professor não ocorre com tanta desenvoltura quanto nos jovens, que praticamente nasceram "plugados" na rede. O que exige que os gestores da educação invistam em capacitação e treinamento do corpo docente para que o educador possa tirar proveito das ferramentas que a internet proporciona de maneira eficiente e produtiva.
Análise de conteúdo 
Para aqueles que têm acesso e familiaridade com a web, a realidade é bastante diferente. Se, por um lado, o aluno tem a facilidade de acesso a um mundo de informações ao alcance do mouse, por outro, essa possibilidade infinita de recursos pode ser um problema se a ferramenta não for bem administrada. Isso se dá pelo fato de que, ao mesmo tempo em que a rede está repleta de conteúdos didáticos, científicos e técnicos corretos e atualizados, também há muitos equívocos, muita informação distorcida que pode induzir ao erro, além, obviamente, de conteúdo impróprio. 

"O estudante que navega pela internet precisa desenvolver autonomia perante o conhecimento. Para tanto, o professor deve orientar a pesquisa a bons sites, boas referências e conteúdos para que o próprio aluno tenha condição de selecionar o que estudar", acredita Betina. Assim, aos poucos, ele próprio vai desenvolvendo senso crítico em relação ao que lê e passa a escolher mais criteriosamente o que pode ser aproveitado.

Nesse sentido, um dos caminhos que facilitam a missão do professor e das escolas é contar com portais de conteúdo educativo, a exemplo do Portal Educacional, um dos quatro do gênero mantidos pelo Grupo Positivo, do qual Betina é coordenadora. O endereço, criado em 2000, tem conteúdo abrangente, dirigido à educação infantil, ao ensino fundamental e ao ensino médio, dependendo da necessidade da instituição. 

Além de recursos de administração escolar, o portal oferece ferramentas de comunicação entre os usuários, entre outros instrumentos. As escolas parceiras do projeto passam a ter sua própria homepage, na qual tornam disponíveis aos alunos e docentes conteúdos e serviços próprios, assim como todo o material do Portal Educacional.

Responsabilidade  
Sempre houve alunos mais, digamos, espertinhos que se apropriam de trechos de textos alheios e às vezes até conteúdos na íntegra. Isto não é novidade e os professores há muito lidam com o problema. Ocorre que, com a internet, a infinidade de fontes dificulta muito uma apuração mais rigorosa por parte do mestre, que, evidentemente, não consegue identificar em muitas oportunidades a origem da transcrição.

Para tentar driblar esses artifícios, o professor da era da internet precisa elaborar práticas pedagógicas que estimulem o aluno a criar, a desenvolver conhecimento com base nas informações disponíveis. "A cópia pura e simples não leva a uma transformação", avalia José Demísio, da IBTA. Segundo ele, o mecanismo da cópia, se não pode ser evitado, pode ser aproveitado de forma inteligente como uma ferramenta. "Não há como trabalhar com essa realidade sem falar mais de ética, em todos os níveis, e disseminar esse conceito entre os alunos", reforça. 

Esse é um conceito que também permeia o universo da Faculdade São Judas Tadeu, no Rio de Janeiro. Para Marcos Santana, diretor da instituição, a internet expõe, a todo o momento, o seu usuário a conteúdos inadequados e muitas vezes com erros de informação e interpretação. "Discutindo valores como a ética e a responsabilidade, aumenta-se a conscientização do aluno em relação à questão de direitos autorais e proporciona-se o desenvolvimento do senso crítico para saber escolher e trabalhar melhor com os conteúdos",  acredita Santana.

Cidadania 
Se assim, indiretamente, a internet motiva os pais e educadores a investir na estruturação da educação informal dos jovens, para muita gente a contribuição é bem mais objetiva. O acesso ao mundo virtual, que ainda exclui muitos no Brasil, é propiciado por iniciativas importantes, como o projeto Acessa São Paulo. Em mais de seis anos de existência, o programa de inclusão digital do Governo do Estado de São Paulo já realizou mais de 18 milhões de atendimentos e contabiliza acima de 850 mil cadastrados. 

"O projeto oferece para a população do Estado o acesso às novas tecnologias da informação e comunicação, em especial à internet, contribuindo para o desenvolvimento social, cultural, intelectual e econômico dos cidadãos paulistas", define o coordenador técnico do Acessa São Paulo, Ricardo Kobashi. Ao todo, são 381 postos de atendimento que funcionam no Estado, em 300 municípios. 

A estrutura consiste de espaços públicos com computadores para acesso gratuito e livre à internet, divididos em três categorias distintas: comunitários, implantados em parceria com entidades comunitárias; municipais, implantados em parceria com prefeituras (geralmente localizados nas bibliotecas municipais); e os Postos Públicos de Acesso à internet, conhecidos como Popais. "Esses centros são implantados em parceria com secretarias e outros órgãos do governo do Estado, como os postos do Poupatempo, os restaurantes Bom Prato, terminais de ônibus, estações de trens e do metrô", explica. Kobashi ressalta que o conceito para os Popais é diferente, uma vez que o espaço está disponível justamente onde existe ampla circulação de pessoas. "O perfil do usuário é diferente, e vai desde o estudante que não possui internet em casa, passando pelo trabalhador a caminho de sua ocupação até o desempregado que está a procura de uma colocação no mercado." 

Como nem todo mundo tem familiaridade com a internet, o serviço mantém monitores que auxiliam os usuários na utilização da ferramenta. Mas tem gente que vai além. O programa fomenta o desenvolvimento de projetos comunitários que utilizem a tecnologia da informação para criar sites, blogs e outros recursos que atendam, de alguma maneira, ao interesse da comunidade.