TECNOLOGIA E
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: ABORDAGENS E CONTRIBUIÇÕES DOS AMBIENTES DIGITAIS E
INTERATIVOS DE APRENDIZAGEM
ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de – PUC-SP
A educação a distância com
suporte em ambientes digitais numa perspectiva de interação e construção
colaborativa de conhecimento favorece o desenvolvimento de competências e
habilidades relacionados com a escrita para expressar o próprio pensamento,
leitura e interpretação de textos, hipertextos e leitura de idéias registradas
pelo outro participante. Decorre daí o grande impacto que o uso desses
ambientes na EaD poderá provocar não só no sistema educacional, mas também no
desenvolvimento humano e na cultura brasileira, de tradição essencialmente
oral, tradição esta imposta pela colonização e escravatura aliadas à moral e à
fé cristã, o que impediu o acesso da população brasileira à educação, bem como
ao mundo da leitura e da escrita e à conseqüente formação de leitores e
escritores (Cury, 2001).
Participar de um curso a
distância em ambientes virtuais e colaborativos de aprendizagem significa
mergulhar em um mundo virtual cuja comunicação se dá essencialmente pela
leitura e interpretação de materiais didáticos textuais e hipertextuais, pela
leitura da escrita do pensamento do outro, pela expressão do próprio pensamento
através da escrita. Significa conviver com a diversidade e a singularidade,
trocar idéias e experiências, realizar simulações, testar hipóteses, resolver
problemas e criar novas situações, engajando-se na construção coletiva de uma
ecologia da informação, na qual valores, motivações, hábitos e práticas são
compartilhados.
Cada participante do ambiente tem
a oportunidade de percorrer distintos caminhos, nós e conexões existentes entre
informações, textos, hipertextos e imagens; ligar contextos, mídias e recursos;
tornar-se receptor e emissor de informações, leitor, escritor e comunicador;
criar novos nós e conexões, os quais representam espaços de referência e
interação que pode ser visitado, explorado, trabalhado, não caracterizando
local de visita obrigatória.
Devido a diversidade da realidade brasileira e a
dificuldade ou até impossibilidade de acesso às TIC por parcela considerável da
população, a educação a distância no Brasil continuará convivendo com as
diferentes abordagens. Enquanto se procuram mecanismos para democratizar a
educação em todos os níveis, o grande contingente de pessoas alijados do acesso
às TIC continuará participando de cursos a distância por meio de tecnologias
convencionais. Porém, esses cursos podem tornar-se mais interativos e assumir
uma abordagem mais próxima do estar junto virtual a partir do
envolvimento dos formadores em um programa de sua própria formação continuada
por meio das TIC que os leve a refletir sobre as contribuições dessas
tecnologias à prática pedagógica.
O uso das TIC na EaD poderá levar à tomada de consciência
sobre a importância da participação de professores e tutores em todas as etapas
da formação, a qual implica em compreender o processo do ponto de vista
educacional, tecnológico e comunicacional. Daí a possibilidade de transferir
tal percepção para a EaD convencional e buscar alternativas que favoreçam a
interação entre os participantes e a representação do pensamento do aprendiz, o
que começa a se evidenciar nos meios de comunicação convencionais.
Tendo em vista a
necessidade de fluência tecnológica para que a pessoa possa participar de
atividades a distância com suporte no meio digital, fica explícito a intrínseca
conexão entre EaD, alfabetização e inclusão digital, mas isso não significa ser
esta última pré-requisito para EaD e sim que há necessidade de trabalhar o
desenvolvimento de competências relacionadas com a alfabetização e inclusão
digital quando as pessoas se propõem a participar de cursos a distância. A par
disso, observa-se que a participação em cursos a distância por meio de
ambientes virtuais de aprendizagem incita o desenvolvimento da expressão do
pensamento pela representação escrita quando é oportunizado ao aprendiz
participar de discussões, expressar-se livremente e desenvolver produções
individuais e grupais (Almeida, 2002).
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